O futuro do rádio já chegou para os torcedores do Atlético

Eduardo Guerra e Denielson Gonçalves - foto: Leide Botelho

Por: Denielson Gonçalves

Imaginar o rádio como um objeto doméstico, que fica em cima da estante é coisa do passado. A tecnologia evoluiu e agregou valor a “velha caixinha de abelha”. É impossível pensar em uma localização para o rádio como acontecia antigamente.  O rádio agora é itinerante, ou seja, acompanha o ouvinte em qualquer lugar. E é pensando nisso que os irmãos Eduardo Guerra, 37, comerciante e Beto Guerra, 28, músico, criaram a Web Rádio Galo.

A ideia surgiu depois de uma reportagem do programa “Custe o Que Custar” da TV Bandeirantes, onde foi apresentada a Web Rádio Lusa dedicada a Portuguesa. A paixão dos dois torcedores do Atlético fez com que  a web rádio nascesse com um investimento de cerca de R$ 10 mil reais. Uma prova de que a turma não está brincando.

A ideia já foi abraçada não apenas por torcedores do Atlético, mas também por grande parte da imprensa especializada. A Web Rádio que fica localizada no bairro Nova Granada na região oeste da capital mineira já recebeu visitas ilustres. Entre elas, os jornalistas Dimara Oliveira, Junior Brasil e Guilherme Piu. Além de jogadores e do próprio presidente do Atlético, Alexandre Kalil.

O projeto da Web Rádio traz para a torcida atleticana, uma opção a mais de informação. Como o lema “De torcedor para torcedor”, a web rádio utiliza como meio de interação várias ferramentas como Twitter, Facebook e Orkut além do Skype. Todas essas ferramentas agregaram valor ao projeto, e mostram a nova cara do rádio.

Em outras palavras, a Web Rádio Galo é um projeto audacioso e mostra, acima de tudo, que o rádio continua se reinventando e buscando o que há de mais moderno para continuar sendo o fiel companheiro do torcedor.

Ouça abaixo  a entrevista feita pelo SINTONIA AM-FM com os criadores deste projeto.

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“SBT Brasil”: Futebol, Paixão de um País

Você já reparou que onde tem futebol tem rádio? Esse importante veículo de comunicação está presente nos estádios, nos bares,  nos ônibus, nas salas de aula – isso mesmo, vai dizer que nunca escutou o jogo de seu time enquanto estava na faculdade?

A rotina dos profissionais de imprensa é o assunto da primeira parte de uma série de reportagens especiais que o “SBT Brasil” começou a exibir na última quinta 12. “Futebol, Paixão de um País” vai falar sobre a paixão do brasileiro pelo esporte, mas, a curiosidade aqui fica por conta dos bastidores do inseparável amigo do torcedor, o rádio.

Veja o dia-a-dia dos profissionais de rádio que fazem a cobertura deste esporte.

Futebol, Paixão de um País

As outras partes desta série especial podem ser vistas no site do SBT:  http://www.sbt.com.br/jornalismo 

O “SBT Brasil” vai ao ar de Seg. à Sáb. às 19:45

por: Denielson Gonçalves

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A VOZ DA EXPERIÊNCIA

Valdir de Castro

Com apenas dezoito anos, já encantado com o rádio, Waldir de Castro, participava das festinhas do bairro Sagrada Família, onde residia na época, e é onde tinha a oportunidade de anunciar pelo microfone o que estava vendendo nas barraquinhas, as prendas que seriam sorteadas, arrecadando dinheiro, fazendo correio elegante, dentre outras coisas. Mesmo anos depois, quando já era cabo da Polícia Militar, estava lá ajudando. Na polícia foi encarregado de fazer correspondência para três emissoras de rádio do interior, sobre as notícias da PM. Mais tarde, foi árbitro de basquetebol, quando recebeu o primeiro convite para trabalhar em rádio, pelo presidente da Federação Mineira de Basquetebol, que era radialista da rádio Jornal. E assim ele começou. Em 1981, foi convidado pelo diretor da rádio Grarani, na época Miguel Almeida, para integrar a equipe de esportes. Posteriormente, foi diretor de esportes da rádio Mineira, depois da rádio Inconfidência. Em 1996 foi para a rádio Itatiaia do Vale do Aço e depois para a de Coronel Fabriciano. Resolveu dar um tempo e voltou para trabalhar na rádio de Teófilo Otoni, onde está até os dias de hoje. Atualmente também tem uma coluna no portal Esporteminas.com. E foi em uma conversa descontraída que entrevistamos esse experiente radialista, no café do cinema Belas Artes, em Belo Horizonte.

SINTONIAAMFM: Quais mudanças puderam ser percebidas ao longo dos anos no rádio?

Waldir: Não são muitos anos assim (risos), senão vou ficar parecendo vovô aqui, apesar de já ser avô de três. Mas as mudanças são muitas, a tecnologia, o avanço tecnológico é uma coisa impressionante. No rádio se dizia quando chegou a televisão: “o radio vai morrer”, não; chegou a internet: “o rádio vai morrer”, não vai; ele pode se sentir meio combalido, meio nocauteado, mas ele vai se igualar e pra todos tem um cantinho. Junto das evoluções do equipamento, vem a preparação dos profissionais, hoje a “meninada” que está chegando, como vocês, vem com uma preparação para essa tecnologia, que tá ajudando, e a gente veio meio que na raça.

SINTONIAAMFM: Você acredita que os problemas e as dificuldades que vão aparecendo na profissão de jornalismo, elas se modificam de acordo com cada década?

Waldir: As dificuldades existem e eu acredito que tudo depende da modernização, a cada década a gente vê acontecer mudanças extraordinárias. Há alguns anos você tinha um evento na Argentina, por exemplo, então tinha as dificuldades tecnológicas e de deslocamento, pra chegar lá, pra transmitir, a qualidade era ruim, tudo difícil. Vamos pensar em duas coisas, o meio de comunicação era o telégrafo e a fotografia era a radiofoto, eu me lembro bem, e no Estado de Minas, vocês podem até pesquisar por jornais de 1954, a informação dos jogos do Brasil na Suíça, chegavam via radiofoto, em péssima qualidade e dois dias depois. Hoje, não tem isso, eu estou com meu laptop, filmei, passei pra ele, pela internet já enviei, estou lá nos Estados Unidos e você está aqui recebendo, em fração de segundos. As mudanças estão tão absurdamente avançadas que não acontecem em décadas, acontecem de dois em dois anos, e olhe lá.

SINTONIAAMFM: Você acha que essa evolução rápida pode ser prejudicial?

Waldir: Eu até penso, sabe por quê? Veja bem, em novembro, eu estava na internet e achei esse celular maravilhoso (mostrou o aparelho), fotografa, grava, coisa e tal, Eu tinha uns pontos na operadora (ele disse para nós qual foi, e brincou que com a gente ele podia falar, mas não vou dizer qual é) fui lá e troquei, fiquei todo entusiasmado. Mês passado, meu filho que é professor de Biologia, está fazendo mestrado, me pediu o celular pra olhar um negócio, e me disse “Ô pai, mas você com uma porcaria dessa?”, eu tive vontade de quebrar o celular na cabeça dele! Mas me é útil, então esse avanço, eu falei do celular, isso faz parte da comunicação do jornalismo, porque “ai” do repórter, “ai” do jornalista que não tiver isso, você pode estar passando na esquina e um fato está acontecendo, nós vamos fotografar, gravar, filmar, e como antigamente “chamar” e colocar no ar. O celular é um telefone, com as qualidades dele, e um microfone, e para que ele seja um microfone é preciso da linha para receber, nas mesas de transmissão do radio.

SINTONIAAMFM: O que o senhor acha das novas mídias utilizadas no rádio?

Waldir: Eu vejo como responsabilidade maior pra vocês que estão chegando, para os que estão na carreira e para mim que estou em fim de carreira, é um desafio. Há alguns anos eu ouvi de colegas “computador eu não quero nem saber”, eu pensei isso também, mas teve um determinado momento que se eu não corresse atrás de cursinho, comprasse revista, pedisse informações, eu estava frito. E vocês estão chegando com mais essa arma na mão, e não pode parar. No rádio hoje você tem coisas extraordinárias, no carro, por exemplo, você sintoniza em várias emissoras, o rádio antigamente sintonizava duas ou três emissoras, virava a esquina “Deus viola” (risos), é porque as emissoras falavam para o centro, cochichavam para o bairro. Hoje em dia, você entra na internet, no Google, pesquisa emissoras de rádio do Brasil, é uma lista enorme, e pesquisa emissoras de fora do Brasil, que também é possível acessar. E outra coisa, radiojornalismo da CBN, por exemplo, o Heródoto Barbeiro foi feliz em lançar essa rádio, a pessoa está no carro, ouvindo a notícia em tempo real e não tem tanta gente hoje querendo ouvir só música não. E como ele recolhe informações? Você acha que a CBN tem repórter espalhado por todo lado? Não. Ela tem rede de amigos, o taxista em Belo Horizonte é um repórter, ele liga pra CBN e transmite a notícia “olha você que está dirigindo, evite passar em tal lugar assim assado”. É assim que funciona o jornalismo.

SINTONIAAMFM: Se tratando da perspectiva profissional, você acredita que a função exercida do jornalista durará mais quanto tempo? Tendo em vista que a comunicação vem englobando as profissões.

Waldir: Conta a história que o homem começou a marcar sua presença com uma grande descoberta, ele começou a alisar e a riscar em uma pedra, fazendo sinais. Se nós olharmos bem, será que eu estaria errado em falar que ali foi o inicio da mídia impressa? O homem tinha necessidade de comunicar. Naquela época também eles se comunicavam através do som, eles gritavam, e quando a vós não alcançava a distancia que eles precisavam, eles batiam bambu, que por ser oco, dá mais som. Por isso tem a figura do Tarzan “ôooôoooôoooooh”! O homem inventou o tambor e inventou um modo de transmitir a mensagem através do som. Inventou a comunicação pela fumaça. Um outro que inventou o código Morse. Outro que descobriu que entre nós está correndo ondas artesianas, e ele inventou um instrumento para captar essas ondas artesianas e que a direcionava para um lugar e através dela transporta o som. E o cara que inventou o alfabeto, e o que inventou a máquina de escrever, e que inventou o notebook, e que inventou a impressora… O jornalismo não acaba e para bem informar, temos que nos informar mais. Leiam muito, muito, muito mesmo, qualquer coisa, qualquer revistinha, até o jornal de classificados, é interessante. Quando vocês estiverem exercendo a profissão, no radio ou em qualquer área que seja, vocês vão ver que é preciso ler e entender sobre qualquer assunto, e ficar atento sempre, pra ser transmitido da maneira correta. O jornalismo durará para sempre.

SINTONIAAMFM: Como era a imagem do programa de rádio do Repórter Esso e o impacto que ele tinha sobre as pessoas?

Waldir: O impacto total, este era o horário nobre, o noticiário nacional, com notícias locais ou setorizadas, notícias conversadas, selecionadas e notícias internacionais. Era o modelo da voz marcante, igual a do Cid Moreira, uma época que o locutor tinha que ter uma voz impostada. Eu me esqueci do nome do Repórter Esso, pelejei pra lembrar, mas não consegui. Mas música que tocava de abertura do programa, deixava as pessoas atentas, como a do Plantão da Globo faz atualmente. Isso é marcante.

“E fim de papo!”

Por: Ana Paula Motta

 

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IGOR ASSUNÇÃO; UM JOVEM JORNALISTA ATUANDO NO RÁDIO

Leide Botelho e Igor Assunção

Igor Assunção, 30 anos de idade, é repórter setorista e comentarista esportivo, formado em Gestão de Comunicação Integrada, pela PUC/MG.

Começou no rádio em 2006, numa segunda versão do 98FC (98 Futebol Clube), a convite de Mário Alaska, produtor do programa. Seu primeiro trabalho como jornalista se deu antes de passar pela faculdade. Quando membro da torcida Netg@lo foi convidado por Emmerson Maurílio, responsável pela central multimídia do Galo e idealizador do primeiro site oficial do Clube Atlético Mineiro, a fazer, juntamente com Leonardo Bertozzi, hoje na  ESPN – Brasil,  a cobertura diária do clube, onde unia profissão e diversão.

O rádio aconteceu para Igor de maneira natural. Ainda na faculdade, era uma disciplina com a qual não se identificava, o que atribui talvez à sua timidez. Primeiramente pensava em trabalhar com internet, que sempre foi algo que gostou. Fã de Eduardo Schechtel, idealizava também atuar na tevê, na bancada do Alterosa Esporte, como ele ( Dudu ). Sobre o rádio,  Igor diz: “rádio é uma cachaça, quando você começa vicia”.

Começou o curso de Direito, e após trabalhar no site, resolveu fazer jornalismo. Chegou a pensar em cursar Publicidade e Propaganda e acabou optando pelo jornalismo.

Atuando como repórter esportivo setorista, gosta do que faz, e percebe como uma dificuldade encontrada no jornalismo esportivo,  lidar com a vaidade dos profissionais do esporte, principalmente em se tratando de uma abordagem para um programa esportivo e humorístico.

No programa 98FC (98 Futebol Clube), ele é responsável direto pelo Twitter e o vê como uma resposta imediata do público que ouve o programa e interage. Segundo Igor, as  mídias aproximam o ouvinte do programa. Para o rádio o retorno que se tem através das mídias sociais é positivo, mas na visão de Igor, é uma ferramenta que deveria ser bem mais explorada.

Para ele o desafio do rádio hoje é saber lidar com esse imediatismo que as novas mídias exigem: “Lidar com a WEB 2.0, as especificidades das redes sociais e a velocidade das informações através das novas mídas é o grande desafio. Não só no rádio, mas em todos os meios de comunicação”.

Por: Leide Botelho

 

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GRAFFITE 98FM, O HUMOR QUE SE OUVE

Entrevista com Geraldo Magela, Rodrigo Rodrigues e Eduardo Schechtel

Em entrevista divertida como o próprio programa, Rodrigo Rodrigues, Geraldo Magela e Dudu, falam do rádio, do impacto das programações de rádio no dia a dia das pessoas e pontuam sobre o profissional do jornalismo.

SINTONIAMFM: Como fazer humor sem o recurso da imagem? Qual o futuro do rádio? E qual o formato do programa?

Magela: O rádio permite que a imagem seja criada pelo ouvinte. Não concordo com a Webcam no estúdio de rádio, você tira um pouco da magia. O grande lance é você permitir que as pessoas criem na cabeça delas a imagem. Todas as pessoas que passaram pelo rádio e hoje estão na televisão, sabem que o rádio   aprimora a interpretação.

Dudu: A twittcam ainda é um recurso pouco explorado, no universo das pessoas q ouvem o rádio. Tem coisas q acontecem no estúdio que são interessantes de ver. Aumenta a interatividade.

SINTONIAAMFM: O programa tem como foco de audiência os jovens?

Magela: Vem se falando do fim do rádio há muitos anos. Hoje para se ouvir música, se baixa na internet, o programa tem duas horas de fala, bobagem e improviso. É o que chama a atenção, o entretenimento.

Dudu: A música foi saindo gradativamente do programa, a pedido dos ouvintes. A rádio é uma rádio jovem, mas o público que houve, varia dos 5 aos 90 anos.

Magela: O programa acontece em um horário de trânsito ruim, muitas pessoas que participam do programa, dizem que o programa serve como terapia.

Rodrigo: Os ouvintes se identificam com o programa, já ouvi que falamos aquilo que outras pessoas queriam falar e não tem coragem.

Dudu: Diante das dificuldades que vimos no mundo, violência e outras coisas, já recebemos retorno de pessoas que através do programa, tiveram uma mudança na rotina, pela alegria que o programa proporciona. Testemunhos da importância do programa proporcionando momentos de descontração, isso pra gente é mais valioso que o ibope, o ibope é importante pra rádio. Pra nós o retorno importante é o do ouvinte que acompanha e gosta.

SINTONIAAMFM: Fica para o jovem profissional do jornalismo um conselho ou incentivo?

Dudu: Deve-se fazer essa pergunta sempre, em tudo que se faça, seja aonde você for atuar, o que serviu pra mim nesses 24 anos de profissão, são três pilares ; 1 – amor à profissão pra saber que não é fácil e que serão muitos os desafios e dificuldades inclusive no se relacionar, porque a arte da vida não é viver é conviver 2 – humildade, reconhecer que não se sabe tudo, ouvir mais e falar menos. 3 – profissionalismo, antes e depois de você há um profissional que deve ser respeitado.

Representantes do Sintonia AM FM com Dudu e Rodrigo

SINTONIAAMFM: O que pode atrair a atenção do público jovem para o rádio?              

Magela: O jovem busca emissoras que chamem a sua atenção, rádios modernas, com uma linguagem atual, sem sensacionalismo.

Dudu: Tendo Orkut, twitter, facebook, na verdade a questão de você conquistar os ouvintes, é a interatividade. Quando o programa nasceu há 16 anos, as pessoas pareciam mais solitárias. Na época recebíamos cartas, já havia certa interatividade. Hoje ass pessoas querem participar, seja como for, independente da idade.

SINTONIAAMFM: Quais são os desafios para o radialismo hoje?

Magela: A internet veio auxiliar bastante, a audiência do rádio aumentou demais. Você consegue acompanhar de onde estiver. Antigamente pra receber uma carta fora do país demorava um mês, hoje em questões de segundos se manda um twitter.

Rodrigo: Há uma maior interação hoje com a internet, é o tempo todo, twitter, e-mails, recebemos frases, piadas, até mais do que pelo telefone.

Dudu: O rádio já passou por todos os desafios, internet, televisão, o desafio maior são para os outros meios de comunicação. O rádio é o melhor amigo das pessoas, não interessa que tecnologia venha, o rádio é ainda o melhor amigo das pessoas.

por: Leide Botelho

 

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RADIALISMO CLÁSSICO

 A trajetória do menino que iniciou sua carreira como locutor de barraquinhas e hoje é um dos radialistas mais representativos do Brasil: Acir Antão conta do inicio da sua carreira, de suas dificuldades e como elas perpassaram-se ao longo de quatro décadas de profissão.

 SINTONIAAMFM: Quais foram as principais dificuldades enfrentadas por você no início da sua carreira?

Acir: Foram muitas, porque naquela época não tínhamos o que vocês têm hoje, que é o curso de jornalismo. Naquela época tínhamos a vocação, e a vocação nos levava a pedir para a gente participar de coberturas jornalísticas, era como aprendiz. Toda redação de Jornal rádio naquela época tinha um garoto que ficava por ali, sem ganhar nada aprendendo. E eu fiquei alguns anos trabalhando de graça. Eu tive um vestibular muito bom na minha vida, com 12 anos, eu era locutor de barraquinhas da igreja do meu bairro. Então ali fui treinando, familiarizando com o microfone o improviso, com as coisas que eu vivia ali e foram úteis quando eu cheguei ao Rádio. Como locutor eu cheguei praticamente pronto, mas ai fui aprender as malícias de uma redação da reportagem e aprendi muito com aquelas pessoas quem trabalhei no início da minha carreira. Comecei com 16 anos tive muitas dificuldades. Naquela época era difícil, te davam um gravador e falavam “se vira”. Eu saia ia aos locais que geravam notícias, comecei com o futebol então eu ia aos clubes. Os clubes da cidade naquela época eram: Cruzeiro, Atlético, América, Renascença e Sete de Setembro. Cinco Clubes profissionais em Belo Horizonte e eu fazia cobertura nesses clubes, entrevistava os jogadores; e foi assim. E eu fazia tudo isso a pé. O interessante que a primeira rádio que eu trabalhei efetivamente foi a Rádio Jornal de Minas, hoje Rádio América e a rádio era na Rua Guarani. Eu saia da Rua Guarani oito horas da manhã, às vezes antes das oito ia ao campo do América, depois no campo do Atlético, do Atlético ao Cruzeiro. E do Cruzeiro voltava à rádio.

SINTONIAAMFM: As dificuldades em fazer rádio há quarenta anos são as mesmas hoje em dia?

Acir: Não… As dificuldades de antes eram grandes. Primeiro; não tinha telefone celular. O telefone era um bem que não é como hoje, que todo mundo tem. Pra você ter uma ideia, a Rádio Jornal tinha um telefone que atendia: O escritório, o esporte, o noticiário, a área artística, o estúdio. Era um telefone! Então… Quando se fazia uma transmissão por telefone a rádio ficava sem comunicação, sem telefone. Era difícil conseguir uma linha para fazer uma transmissão. Às vezes quando ia se cobrir um acidente, um incêndio, chegava-se, tomava conta de uma linha de telefone e não deixava ninguém pegar, por que se não, não se tinha linha para transmitir. Era difícil!

 SINTONIAAMFM: Qual a importância que você atribui à formação acadêmica?

Acir: Muito grande. Por que hoje você tem como aliado a vocação. Por que eu acho que quem quer ser radialista tem que ter vocação. Jornalista é… No inicio uma profissão como toda profissão. De muito sacrifício de um aprendizado muito grande que requer em todas as suas nuances muita boa vontade, muito desprendimento, muita entrega. O jornalista trabalha domingo, trabalha dia santo, feriado, noticia não tem hora para acontecer. Hoje temos no mercado, profissionais de grande reconhecimento, e as pessoas falam que o jornalista fulano de tal é famoso e etc. Da mesma maneira como tem médico e engenheiro, todos passam por dificuldades. Toda profissão exige, primeiramente, vocação, se você não for vocacionado não adianta. Tem que ter vocação para ser jornalista.

 SINTONIAAMFM: Você acha que o curso de comunicação prepara os alunos para enfrentar os desafios e dificuldades do mercado de trabalho em uma rádio ou televisão?

Acir: Acho que prepara. Mas junto com isso que estou te falando. Você em qualquer sala de aula sendo um bom aluno você vai aprender, se você não for não vai aprender e não vai se preparar nunca.

SINTONIAAMFM: E como você avalia essa questão que o diploma não tem mais uma validade legal não existe essa obrigatoriedade para o exercício da profissão?

Acir: A lei já foi pra aqueles que se tornaram jornalistas, porque não havia curso. Como é meu caso. Eu sou jornalista antes do curso. Então, todos nós quando a profissão foi regulamentada, que estávamos naquele antigo exercício da profissão tivemos o direito de nós profissionalizarmos, porque a partir daquela data ia valer a lei. E a lei como todo o curso, se você cursa medicina ou engenharia você tem direito ao diploma. Eu acho o diploma muito importante.

 SINTONIAAMFM: Quais foram as principais dificuldades enfrentadas por você em cobrir a visita de João Paulo II ao Brasil, em 1980 e 1992, e como você contornou-as?

 Acir: Bem, em 1980 foi uma dificuldade muito grande, porque eu tinha que chegar aos locais onde o Papa ia celebrar missa, enfrentar a segurança, enfrentar a multidão. Era muito comum eu chegar aos locais, apesar de estar com o crachá de imprensa especializada não conseguir passar pela segurança. Não se sabia, e não conhecia os locais. Era como aqui em Belo Horizonte tem-se a Praça do Papa e a Praça da Bandeira. Não se conseguia ir de carro de uma praça a outra. Tinha que enfrentar tudo isso, uma Avenida Afonso Pena dessas ai, eu tinha que subir carregando minha mala, a mala da rádio. Chegar lá e identificar o local da empresa, ligar pra rádio, falar de lá. Ser repórter ser operador. Ser tudo. Foi assim que fizemos em 1980. Em 1992 foi melhor, por que foi um operador comigo. O operador fazia a parte mais importante quer era fazer a ligação com a rádio. E eu fiz o meu papel jornalístico.

 SINTONIAAMFM: Como se deu sua inserção na Rádio Itatiaia e como é a sua interação com o público?

Acir: Eu vim trabalhar na rádio Itatiaia em 1970. Eu trabalhava na extinta Rádio Minas, e na Rádio Minas eu fazia de tudo. Eu era repórter de futebol, político. Eu lia noticias, era locutor comercial, apresentador de programa. Eu vim pra Itatiaia para ser locutor noticiárista. Esse locutor que lê noticiário de hora em hora. Depois por contingências, faltavam pessoas para apresentar o programa. Fui me revelando no início com muita dificuldade, ninguém me conhecia. E ai surgiu a oportunidade para fazer um programa. – vou fazer um programa de samba. Pode? Pode. Revelei-me como apresentador de programa de samba, e com isso ampliei meus horizontes dentro da profissão, trazendo tudo aquilo que eu sabia fazer para dentro da Rádio Itatiaia. E hoje a interação com o público é muito grande. Porque eu faço um programa aos domingos, que eu dou mais ou menos a receita do cara que ta dentro de casa, curtindo o domingo, curtindo aquele dia gostoso. No programa que eu faço diariamente eu converso com a dona de casa, faço um programa voltado para a dona de casa. Quer dizer… Eu acho que até que com meu público eu transo bem.

SINTONIAAMFM: Como foi acompanhar Tancredo Neves à Europa e América do Sul, houve muitos desafios e dificuldades nessa viagem. Você pode citar algumas e como você contornou todas?

Acir: Bem! Outra coisa que eu peço muito quem vai fazer jornalismo hoje, embora naquela oportunidade eu não tenha passado essa dificuldade, porque eu estava com muita gente. Primeiro é saber bem falar inglês. Eu não sei nada de inglês. Eu acho que essa é uma exigência de quem vai fazer jornalismo. Saber pelo menos outra língua; isso facilita. Por que ir a um lugar para fazer uma transmissão e você não falar bem outra língua é mais difícil. Embora eu tenha entendido bem o italiano, em Portugal e na Argentina não tive tanta dificuldade. Mas nos EUA e na França eu tive uma dificuldadezinha. Foi um momento muito importante da minha vida, porque o Brasil estava saindo de um regime militar. A chamada ditadura militar. E ia entrar em um processo de democratização com o primeiro presidente civil eleito ainda pelos trâmites do regime militar, que era o colégio eleitoral. Era o homem que ia nos devolver a eleição direta para presidente, que nos ia devolver a liberdade etc e tal. Então muita gente achou que estavam ali resolvidos todos os problemas do Brasil. Não. Nós íamos começar a resolver os problemas do Brasil com a democracia com o estado de direita democrático. Foi muito importante acompanhar aquele político que era um dos mais experientes do Brasil e foi o nome que unificou toda a nação. Eu estou me lembrando aqui do Glauber Rocha* que naquela época na televisão fazia um comentário em um programa chamado: Abertura, da TV Tupi, e dizia assim: “O Brasil tinha que ser uma grande feijoada, unir todos os pedaços do país, unir todas as tendências para lutar pela democracia”. E foi o que fizemos. E com um destaque para o PT, que não votou no Tancredo Neves. O PT não foi aquele partido que ajudou a votar no Tancredo, se nós precisássemos do voto do PT para voltarmos à democracia, não voltaríamos. Porque o PT não votou e quem votou em Tancredo Neves do PT naquela época foi expulso do partido. A Bete Mendes** e outro deputado que não estou lembrando o nome dele, me fugiu da memória. Foram expulsos do partido, porque votaram no Tancredo; eles acharam importante todas às tendências de oposição votar naquele homem que foi escolhido para ser o cara que ia devolver a democracia do país. Tancredo não pode tomar posse, mas ficou no lugar dele o Sarney que manteve o compromisso da democracia.

SINTONIAAMFM: Você citou a ditadura. Na época da ditadura você enfrentou muitas dificuldades para exercer a profissão?

Acir: Enfrentei. Porque você vivia sobre a vigilância da Censura. Às vezes eu ficava sabendo das coisas, porque a censura me informava. O sensor chegava aqui e falava: “Estão proibidos, toda e qualquer forma de citação, ou discurso feito em relação ao enfrentamento da força de segurança com os comunistas em tal lugar.” Tem uma novela do SBT que levanta bem essa fase do país, e por sinal esta muito interessante, a novela se chama: Amor e revolução.

 SINTONIAAMFM: Você afirma no site da Itatiaia que Rádio Bom é Rádio que presta serviço. Por quê?

 Acir: Por que se o rádio não prestar serviço ele perde sua função. O jornal, o rádio, a televisão primeiramente em concessão pública, eles tem o dever de prestar serviço. O mais importante do rádio é quando você vê assim: – Atenção dona Fulana, favor entrar em contato com o senhor Fulano. Essa é a maior e mais importante função que o rádio faz. Fazer as pessoas se comunicarem. Então quando se tem um anúncio, um recado ai o rádio esta cumprindo bem a sua função. Não só na publicidade, não só na notícia, mas também nessa forma.

SINTONIAAMFM: Você acredita que os problemas e dificuldades que vão surgindo na profissão eles se modificam de acordo com o contexto social de cada década?

Acir: Ah Claro! O jornalista de hoje não é jornalista de trinta, quarenta anos atrás. O contexto mudou, hoje não é mais máquina de escrever é o computador. O sistema de fazer jornal não é mais o mesmo de trinta anos atrás; que tinha monotipia***, que tinha chumbo nas tinas. O cara na oficina de impressão que ficava todo sujo de graxa. Ainda temos a tinta, mas hoje é mais suave, a impressão é diferente tudo mudou, e tudo vai mudar sempre.

SINTONIAAMFM: A gente percebe que você não tem um computador na sua mesa, você se adaptou as novas tecnologias?

Acir: O computador fica ali (nesse momento Acir nos aponta o computador na sala ao lado.) eu não fico com o computador na minha mesa. Alias a minha mesa, pra você vê é essa confusão aqui. (Papeis amontoados dividem espaço com múltiplas capas de CDs e muitas outras coisas espalhadas) Porque eu nunca tenho tempo, já estou aqui e já estou saindo. Aí fico deixando pra depois, depois, depois… De vez em quando eu dou uma geral aqui.

SINTONIAAMFM: O que Lupicínio Rodrigues representa na sua vida e carreira?

Acir: Lupicínio Rodrigues é um compositor que eu gosto muito. Ele fala da dor de cotovelo, é o que se chama de fossa. Um cara que sofreu de todas as dores de cotovelo foi Lupicínio Rodrigues. Então como ele é um compositor, não muito abandonado, não muito esquecido, eu quis dar um destaque a ele quando eu idealizei o espetáculo sobre o Lupicínio. É uma das formas de se mostrar, um estilo de música que o Brasil teve no final da década de quarenta começo da de cinquenta. Lupicínio teve uma importância muito grande para o Estado do Rio Grande do Sul, assim como teve Rômulo Paes pra Minas Gerais; Adoniran Barbosa para São Paulo; Dorival Caymmi para a Bahia. Assim por diante.

SINTONIAAMFM: Como foi o processo de criação e pesquisa de seu show Acir Antão Canta Lupicínio?

Acir: Eu conheço Lupicínio desde garoto. Por que desde menino eu gostava muito das músicas dele. Eu cantava as suas músicas desde os doze treze anos de idade. E ai eu fui tomando conhecimento. De acordo com que você vai namorando, tendo seus casinhos de amor você vai conhecendo as músicas. Então eu conheci Lupicínio Rodrigues e me aprofundei na sua obra. Ele ainda era vivo, quando conheci suas músicas, acompanhei muito as entrevistas dele, e acabei conhecendo ele. Isso foi muito bom, me ajudou muito, e no dia que eu montei o espetáculo eu já sabia as músicas que eu ia cantar. Eu já sabia e conhecia tudo.

SINTONIAAMFM: Pra finalizar. Você deixa uma mensagem para os futuros jornalistas, positiva ou negativa do mercado?

Acir: Olha, Positiva! A mensagem é positiva, e quero dizer a vocês estudantes. Primeiro é a vocação, se não tiver vocação pra ser jornalista, não adianta, vai forma e vai fazer outra coisa na vida. Por que jornalismo tem que ter vocação. E outra coisa, formou; agora é que vai começar a grande luta. Porque o emprego e a oportunidade em um mercado como o nosso, que colocam trezentos, quatrocentos jornalistas por ano no mercado, não temos órgãos de comunicação o suficiente para tanta gente. E reafirmo que os estudantes têm que ter vocação, ter a profissão como sacerdócio, abraçar a primeira oportunidade, seja ela onde for. Hoje o jornalista ele é assessor de impressa. Um artista, um jogador de futebol não vive sem um assessor. Quer dizer, a profissão apesar de tudo ela esta bem valorizada, aquele que sonha em trabalhar em um órgão de comunicação como rádio, televisão, em um jornal tem que levar tudo isso com muita vontade.

* cineasta

** Atriz

*** técnica de impressão

por: César Augusto Alves e Hudson Freitas

 

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O RÁDIO MOSTRA SUA FORÇA COM O AVANÇO DAS NOVAS TECNOLOGIAS

José Maria Valadares e Denielson Gonçalves - foto: Felipe Rezende

O rádio acompanha o tempo, as inovações tecnológicas e as redes sociais para garantir seu dinamismo, segundo o radialista José Maria Valadares, 50. Com a internet, de acordo com Valadares, o profissional pode atualizar as informações a qualquer instante. O ouvinte pode ficar ainda mais próximo do fato, porque o celular é o microfone do repórter, o que garante entrada ‘ao vivo’ com uma velocidade impressionante. Outra ferramenta usada é o Twitter que vem possibilitando discussões sobre temas propostos e um melhor acompanhamento da audiência.

Valadares é formado em jornalismo pela Fafi-BH, atual UNI-BH, e reúne experiência de cobertura radiofônica em veículos como Jornal de Minas, Inconfidência, Globo, Capital e pela radio comunitária Popular. O radialista acredita que o rádio é o veiculo de informação que gera todas as notícias do mundo. “O rádio é, a meu ver, a instantaneidade”, define. “O repórter de rádio faz uma matéria e ‘joga’ no ar. As outras redações de televisão e jornal fazem repercutir aquela matéria que foi dada antes no rádio. Isso em nível local e em nível mundial”, explica.

Valadares crê que rádio é o básico da informação jornalística. “Podemos dizer isso também da internet, porque você pode fazer matéria, gravar e jogá-la na internet e a repercussão é simultânea”, explica. De acordo com ele, esta instantaneidade marca a diferença entre o radiojornalismo feito há 30 anos e o que é feito hoje. “Antes, o repórter tinha que ir para campo com o Aki, aqueles gravadores pesados e com aquelas fitas que tinham que ser cortadas com gilete para fazer edições’’, lembra. “Hoje, a internet facilitou e muito o trabalho do jornalista valorizou, e democratizou a profissão.  Os jornalistas não devem ter medo disso”, avalia. Com relação ao perfil do futurto profissional, Valadares define: “o jornalista profissional vai ser um crítico”.

Apesar desses avanços, José Maria Valadares destaca, ainda, as dificuldades de se fazer jornalismo nas rádios comunitárias, no Brasil. Para ele, a comunicação deve ser democrática e deve vir de baixo para cima, ou seja, do povo. ”As pessoas tem que entender que comunicação é para todo mundo, rádio, televisão e jornal. Um veículo democrático deve estar disponível a todos, mas, no Brasil, apenas grupinho tem esse poder. Antes, rádio era para um grupo privilegiado, isso faz parte da nossa cultura capitalista de capitania hereditária, em que tudo vem de cima para baixo’’.

De acordo com Valadares quem perde com essa centralização da informação é o povo, pois as rádios comunitárias que deveriam denunciar os erros das administrações municipais estão ficando nas mãos dos políticos locais. Outro aspecto é que as grandes rádios perseguem as rádios comunitárias. ‘’Elas perseguem a todo custo, inventam coisas, falando que derrubam aviões, em São Paulo então, fazem campanhas gritantes. Colocam no rádio propagandas para denunciar rádios piratas, pois não chamam de rádios comunitárias’’.

Para os operadores de som, ele ressalta as facilidades implantadas com as novas tecnologias. “No meu tempo, você tinha que ficar segurando disco, mudar sua rotação. Hoje, tudo está informatizado. Você tem uma playlist que faz tudo. Você só fica olhando e, ainda, diz que está trabalhando”, diz bem humorado. Mas mesmo com toda essa tecnologia na programação musical, ele faz ressalvas. “A gente está mais tranquilo porque pode trabalhar mais o que vai ao ar, pode editar. E é ruim, também, porque nós estamos perdendo em criatividade, estamos caindo na mesmice”, avalia.

por: Denielson Gonçalves e Felipe Rezende

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